terça-feira, 16 de agosto de 2011

A Estrada


Continuo só. Pensei eu.
Na jornada, na estrada ensolarada.
Continuo só...
Eu, a viola e Deus...
Será?
Perguntei para mim mesmo
E descobri que para além da minha solidão
E sentimento de desprezo,
Que para além do ostracismo inusitado
E a percepção do nada,
Antes de mim, bem antes, pela mesma estrada,
Ele passou.
Ferido, cuspido, desprezado.
Em dor, com chagas, olhar parado. Firme.
Veio antes de mim.
E se hoje há Caminho, Verdade e Vida,
E se hoje há Esperança, Amor e Fé,
Isso tudo veio através dele,
Jesus de Nazaré.
Aquele que por aqui também passou.
Não, não estou só na estrada.
Isso é um engano do meu coração, que passa.
Nem caminho a esmo, sem objetivo, nem nada.
Caminho sim, em desertos de desesperos humanos,
Mas com um sorriso no rosto e um objetivo certeiro.
E quem me vê sabe que sou forasteiro
Mas, vê também, que trago nas mãos e no peito um recado:
Essa estrada, esse pedaço amargo de chão batido,
Passou por aqui alguém ferido, que foi morto, mas ressurgiu.
Foi pendurado na cruz, mas a morte não O engoliu,
Antes no domingo de manhã voltou a viver.
E quem nele crê, passa por essa mesma estrada da vida,
Mas passa, agora com graça,
E nela encontra sentido.
Ainda que muitas vezes com o coração partido,
Mas encharcado de esperança.
Pois sabe agora, que é uma nova pessoa,
Como uma criança,
Que existe agora algo bem melhor para se desfrutar
Do que apenas parar de bar em bar,
E de folia em folia,
Tentando provocar uma falsa alegria
Cujo prazer entorpece, mas se esvai.
Para aliviar o calor da estrada
É somente enxergar nele a fonte
Esse Jesus, aparentemente errante,
É o alvo que todo coração perdido anseia acertar
Somente nEle que a alma humana encontra a Paz e Alegria sem par.
( Luciano Umadaguar)


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